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Wednesday, May 14, 2008

 

Jelly Bellies


[Quer?]


É uma sensação estranha: às vezes eu olho e me pergunto se é de verdade. Então rio, por precisar de me lembrar que é, sim. É de verdade. Pequena, macia, molenguinha, miniatura, mas real.



posted by Cam Seslaf às 10:05 PM |



Tuesday, May 13, 2008

 

Em quatro meses quase dá para esquecer que...

... tem cliente que é muito, mas muito chato. Cliente que reclama do advogado que entrou na causa aos 44 do segundo tempo porque o ministro deu um despacho padrão para negar seguimento a um recurso que tinha, adivinhem? Um vício de forma padrão.
Vou mandar um e-mail para o Excelência e sugerir que ele escreva diferente da próxima vez:
"Ilustre Parte,
Como tem passado? Como vão a família, dona Custódia, os poodles? Espero que este provimento lhe encontre no gozo pleno de sua saúde.
Analisei seu recurso com todo carinho, mas infelizmente a lei, aquela malvada, me deixa de mãos atadas. É que a matéria não está prequestionada. Não é culpa sua, Senhor Parte, mas sim do tribunal recorrido que não teve a compaixão de se desincumbir eficientemente de sua tarefa de julgar. Desalmados!
Apesar de eu não poder decidir de forma diversa nesse instante, faço os mais sinceros votos de sucesso em suas futuras demandas.
Nego seguimento. Publique-se. Intime-se. Um beijo no coração."

Mas não, né? Não, cliente. Se algum advogado um dia te prometeu resultado e não trabalho, isso não é Impulse.

*

... o mundo jurídico é muito, mas muito chato. Não perde a mania ridícula de usar latim para tudo. Não estou falando de petição não, hein, estou falando de organizar uma festa de confraternização e batizar o evento de "Iuris Churrascorum".
Burp.

*

... não existe mais co-autoria. Sério, do jeito que a coisa vai, podiam revogar de uma vez o art. 29, do saudoso concurso de pessoas. Tem quatro investigados na história? É quadrilha. Quadrilha tem estado tão na moda nas últimas coleções do MP que os artistas nem precisam se conhecer (acreditem, tenho um caso de "quadrilheiros" que não se conhecem e nem se sabem "quadrilheiros"!). Tem mais de três? Art. 288 na cabeça.
Agora tentem imaginar uma boa defesa para isso. E me mandem no Gmail em seguida.

*

... julgamento com votos longos, monocórdicos e cheios de "fi-lo" e "ei-la" dão sono. Depois de quase cinco meses de noites interrompidas, então, é desumano.

*

... os meus motivos para andar flertando tanto com a idéia de mudança de rumo são muitos e muito bons.



posted by Cam Seslaf às 4:56 PM |



Monday, May 12, 2008

 

Ainda bem que eu não escrevi nada sobre o dia das mães.
Em duas linhas, ela disse tudo.



posted by Cam Seslaf às 10:33 PM |




 

Qualquer coisa para parar de cantar P.I.M.P.

Toda vez que entro aqui, que eu já não agüento mais fazer mãozinha de rapper apontando pra baixo na minha cabeça.
O G1 dá com grande estardalhaço que uma rara anomalia na gestação fez um cachorro nascer verde.
"O fenômeno pode afetar filhotes de pêlo muito claro", mas "a cor esquisita deve acabar sumindo com o tempo".
Sim, depois de um banho. A rara anomalia atende por mecônio. O grande fenômeno é que o filhote fez cocô in utero.
Ignorância, sensacionalismo ou ambos, deu peninha de quem fez o mesmo na Redação.



posted by Cam Seslaf às 5:19 PM |



Saturday, May 10, 2008

 

I'ma P.U.M.P.I.N.G.

Toca o telefone na sala. Escuto do quarto, que está com a porta aberta:
- Lúcia: "Alô?"
- Pessoa Não Identificada presumivelmente diz: "A Camila está?"
- Lúcia: "Ela está tirando leite. Quem quer falar com ela?"
A gerente do banco. O chefe. A operadora de telemarketing. O feirante. Reparem na ordem das frases da pessoa.
Pelo menos era a minha tia.
Lição: converse sempre com seus ajudantes.



posted by Cam Seslaf às 10:43 AM |



Thursday, May 08, 2008

 

Será que tem bouquet garni?

Todos os sites e livros americanos em que eu busquei orientação durante a gravidez precisaram ser ignorados no minuto em que a Catarina passou a comer comida. Não é à toa que eles enfrentam uma epidemia de obesidade por lá, a má educação alimentar vem literalmente do berço. A regra geral parece ser começar com leite engrossado com cereal (!) e só lá pelos 8 meses oferecer cenoura, ervilha e batata doce passadas pela peneira. Puras. Sem tempero. Blech.
Se é para dar comida para a criança, que seja comida de verdade e não um subproduto qualquer de milho. Depois de ter lido este livro, então, eu passei a fazer questão de comer comida a mais fresca e natural possível. Imaginem se vou dar alimentos processados para a minha filha agora, com tanta coisa melhor à disposição e sabendo (infelizmente) que ela tem o resto da vida para ingerir porcarias?
Por isso também é que desobedeci o pediatra, que me orientou a dar papa de frutas misturadas com Mucilon e geléia de mocotó (triplo blech) e a não usar temperos na sopa, só cozinhar os legumes em água. As frutas eu dou separadas, para ela saber que abacate é abacate, banana é banana e mamão é mamão, não uma mistureba com cara de cimento e cheiro de chulé (geléia de mocotó, nem presa).
Já a sopa, mil perdones, mas oferecer uma papinha sensaborona para um bebê me soa como pedir de joelhos para ela se transformar numa enjoadinha à mesa (como a mãe dela foi, por sinal).
O que eu fiz (e que inclusive facilitou a minha vida) foi preparar caldos de frango, carne e peixe com tudo o que eles têm direito, como cebola, cenoura, salsão e verdinhos (e até erva-doce, no caso do peixe), congelar em pequenas porções e cozinhas os legumes neles. Está dando super certo, até hoje ela não recusou nada. Até mesmo as folhagens, que sabe-se lá por que são um no-no agora, eu passei a acrescentar aos pouquinhos. Já foi espinafre e brócolis, amanhã tem couve.
Não entendo essa noção de que comida suave é comida sem gosto. É lógico que não vou dar um curry incendiário para a menina, mas qual é o mal de se colocar uma cebolinha para temperar o caldinho da sopa ou um raminho pequeno de alecrim para perfumar a abóbora assada? Falar nisso, [tape os ouvidos, Catarina] apesar de eu odiaaaaar abóbora, admito que assá-la com um tiquinho de azeite de oliva antes de batê-la na sopa deixou a coisa muito mais palatável.
Mas pensar em sopinhas variadas de domingo a domingo não é lá muito fácil não. Alguém tem receitinhas para trocar comigo? Mas sem balinha, pirulito e sabão em pó ;D.



posted by Cam Seslaf às 11:41 AM |



Tuesday, May 06, 2008

 

Midnight at the pumpkin patch

"Shaaame, such a shaaaame..."

*

Sabem quando a idade, as circunstâncias e os interesses envolvidos te obrigam a responder ao argumento de alguém com toda a calma e racionalidade que as suas mitocôndrias são capazes de reunir, mas no lugar de todo aquele "veja bem, não é esse o combinado, data venia, você não acha que..." caberia um categórico e negritado FUCK YOU?
Pois.
Como bem lembrou minha sapientíssima irmã esses dias, "é prisso quisso serve".

*

Heaven knows why, but I've been missing you these days. You you.

*

Eu me lembro de umas das maiores emoções da infância, abrir brinquedo novo. O cheiro, o desfazer daqueles araminhos brancos...
Agora que eu voltei a trabalhar, saí para comprar uma reserva técnica de brinquedos para que dona Catarina passe o dia devidamente entretida. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que brinquedo hoje vem com tanto araminho e durex e presilha que precisa a criança chamar a Price para dar conta do serviço, como diria o Manfriend. Criança nada, é a mãe quem precisa mesmo. Só imagino o chororô de frustração daqui a uns dois anos, na fase do "eu que faço, mamãe".
Não sei para que tanto medo de liability se os caras fabricam tudo na China em rios de chumbo.

*

Já na via láctea, tudo vai muito bem, obrigada (obrigada mesmo). A bomba ajuda muito, mas viva o Chá da Mamãe e as bolinhas de Pulsatilla!
Ou viva o efeito placebo, senão não seria eu.

*

Chegar em casa e encontrá-la já dormindo: bad. Por dois dias seguidos: ai.

*

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto... Mais uma vez "te agradeço, filha, por você me mostrar o verdadeiro tamanho das coisas".



posted by Cam Seslaf às 9:28 PM |



Monday, April 28, 2008

 

Filha, enquanto eu voltava para o escritório depois do almoço hoje, olhei em volta e percebi que o mundo estava diferente. Não por força de expressão: eu realmente vi cores e formas diferentes numa paisagem que há tanto tempo me é tão familiar. Não que nada tenha mudado, apenas o meu olhar. Eu voltava para o escritório, por mais aflitivo que tivesse sido deixar você para trás, mas sentia felicidade em reparar nesse mundo. Eu estava feliz porque entendi pela primeira vez como é bom ter alguém para quem voltar para casa. Por saber que você sempre estará a me esperar, ainda que o meu dia tenha sido chato ou nervoso ou ruim.
Você chorou muito no final da tarde. Não queria colo de ninguém, queria o meu. Eu só soube depois que você tinha parado, rendida ao cansaço. Peguei minhas coisas e voei pela cidade para te confortar. Te encontrei exausta, de olhinhos vermelhos, mas rapidamente serenada por me reconhecer. Apesar da tarde sofrida, você tomou toda a sua sopa e dormiu no meu colo logo em seguida.
Agora fiquei ali, vigiando seu sono, e pensando em como eu já tenho tanto a te agradecer, sendo você ainda tão pequena. Eu te agradeço por ter me mostrado (finalmente) onde é o meu lugar. Te agradeço por não me deixar esquecer, por um minuto que seja, que eu preciso estar bem, forte e inteira para você, e portanto não tenho mais o tempo nem o luxo de me ocupar com ruminações que só me traziam sofrimento, no fim das contas. Te agradeço, filha, por você me mostrar o verdadeiro tamanho das coisas, aquilo que de fato importa e aquelas pelas quais eu não devo me dispersar. Eu te agradeço pelo sentido, pelo prumo, e te agradeço, Catarina, por ter me ensinado a ansiar com tanto entusiasmo pelo futuro. Com todo o meu amor, Mamãe.



posted by Cam Seslaf às 8:40 PM |